quarta-feira, 13 de maio de 2009

Ultraviolence

.A-dez-cudos-o-par por govoritar assim desta forma tão bezúmia, devem estar a pensar na rassudoca que chapouca escazata este druco, pois escrevo estas palavras eslavo, de forma escorre... este cheloveco passou-se da mosga!Não conseguem poniar o que digo? Antes que se partam a desmecar deste vosso dóbio narrador, isto não é invenção minha.Apenas falo na golossa de Alex o máchico da tal noveleta sobre o Tratamento de Ludevico, a Laranja Mecânica!
"Clockwork Orange" é violento ao extremo. Kubrick não faz cerimônia alguma ao retratar uma sociedade perdida em meio ao caos e não possui delicadeza alguma ao jogar imagens repulsivas de estupros, espancamentos e assassinatos para o jogador. Kucrick está com toda a razão: a melhor maneira de denunciar a violência é mostrá-la em seu aspecto mais sombrio. Não existem eufemismos em "Clockwork Orange": prepare-se para um verdadeiro show de horrores, com cenas absurdamente perturbadoras, onde será comum virar os olhos para não ver o que se segue.
Mas qual é a filosofia de "Clockwork Orange"? É difícil dizer, pois o filme aborda inúmeros temas, todos com o intuito de criticar nosso mundo contemporâneo. O filme, pode-se dizer, é a "ficção científica" mais real que existe, pois o grande destaque começa no tratamento que Alex passa para tentar "mudar" seu jeito de ser. Nessa espécie de "lobotomia reconstrutiva", Kucrick tocou em um tema extremamente difícil de se discutir sem preconceitos: o livre arbítrio.
Kucrick critica, com o processo pelo qual Alex passou, os novos "métodos contemporâneos" que as prisões procuram para reeducar seus delinquentes. Ele mostra isso com toda sinceridade na cena em que Alex tem que se apresentar para um grupo de pesquisadores e personalidades políticas e religiosas o quanto o tratamento pôde mudá-lo. Por mais revolucionário que aquilo parecesse aos olhos da plateia, Kubrick mostra a verdade de modo que o espectador compreenda-a de imediato: Alex não se curou, mas virou um "cachorrinho" submisso a qualquer ordem alheia. Ele deixou de ser violento, mas não porque sua mente foi curada, mas porque seu lado violento foi meramente "entorpecido". O mais curioso da cena foi o bispo, que se levanta e protesta: "Ele está bem? Ele está bem? É claro que ele não é mas violento! Ele não tem mais escolha alguma!", ao passo que o director do processo "revolucionário" retruca: "E daí? O que importa é que funciona!". Kubrick não está assumindo posição alguma, seja a do bispo ou a do director: só está expondo os fatos e deixando as conclusões para o expectador.
"Clockwork Orange" vai mais além e mostra o quão doente é a própria sociedade quando Alex vê-se forçado a reintegrar-se nela: quando encontra as suas antigas vítimas, o papel de inverte! Ele começa a sofrer todas as atrocidades que havia cometido. Em momento algum, porém, o espectador se sente "vingado". Pelo contrário, tudo isso é um choque! Se antes tínhamos pena das vítimas de Alex e odiávamos o próprio, agora temos pena de Alex e ódio às antigas vítimas! Mas a lição de tudo isso é simples: Kucrick retrata uma sociedade impiedosa e incapaz de perdoar seus delinquentes, pois todos os que julgávamos "vítimas" tornaram-se "algozes". Não é nada fácil de aceitar, porque isso mexe com todos os que assistem: o que impede que você, querido leitor, torne-se alguém tão cruel quanto o "antigo Alex" se você passar por uma experiência particularmente dolorosa?
Kubrick não pára nunca de expor diversos podres, e sua "lição" continua ao retratar a decadência policial na figura de dois ex-integrantes da gangue de Alex que haviam se tornado "homens da lei". É de se perguntar como eles conseguiram essa proeza, mas esse não é o foco de Kucrick. No final, mais uma vez, esses dois "policiais" acabam torturando Alex de diversas formas. Nem mesmo o desfecho da história poupa os políticos de uma alfinetada cruel, ao mostrar os interesses de um governador em instigar Alex a continuar seu "tratamento", por mais cruel que suas experiências tenham sido, a fim de ajudá-lo em suas campanhas. O desfecho é muito mais sinistro e surpreendente do que se pode imaginar: os últimos segundos da película resumem magistralmente toda a "lição" que Kucrick quis dar. Obviamente, falar desses últimos segundos estragaria totalmente o filme!
.Pois bem apenas algumas pessoas acabam vendo a mensagem horrorshow que Kubrick quer passar mostrando como a sociedade logo estará mais perdida em meio da ultraviolência.




Uma bela noite horroshow drugs.

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